Planejamento para 2022? É fácil se você fizer de maneira inteligente

... eis que já chegamos na última semana de janeiro! Mal começamos o ano e já vamos nos despedindo do primeiro mês! Gostaríamos de perguntar aqui como andam os planos que você definiu para este ano (seja em âmbito pessoal ou profissional), mas na verdade a pergunta mais importante é anterior: planejar o quê?


Sobre uma mesa branca, vê-se parte de um laptop, um "planner" pessoal, e as mãos de uma mulher escrevendo sobre um post-it
Começo de ano: época de planejar, estabelecer objetivos, programar o dia-a-dia... Você definiu suas metas?

Claro que não há uma única resposta certa para esta pergunta, mas achamos que este é um ótimo ponto de partida para discutirmos, afinal, o que é o planejamento. Os dicionários nos informam que "planejar" consiste em definir antecipadamente um conjunto de ações ou de intenções. Então, a primeira parte da resposta à pergunta que propusemos aqui passa por entender que intenções motivam o seu plano. No plano pessoal, é comum iniciarmos o ano com a intenção de entrar em boa forma física, melhorar a saúde, ou algo relacionado a nossos relacionamentos pessoais (afetivos, círculo social, família). No âmbito do trabalho, pode ser galgar uma posição melhor no trabalho atual, empreender em algo, ou promover alguma mudança de ocupação (trocar de emprego, mudar de ramo, etc.). Também acontece, às vezes, de "planos" serem delegados a nós e sermos obrigados a lidar com eles e os incluir em nosso próprio plano pessoal. Então, a nossa pergunta deriva em uma outra, inicial: qual é a sua intenção?


Uma parede com várias folhas coladas, e linhas de conexão colocadas entre elas pela mão de alguém.
Um plano se faz de objetivos claros e ações bem definidas. Para isso, há diversos recursos, ferramentas e técnicas, tanto digitais quanto analógicas.

A segunda parte da resposta é o coração do planejamento: definir as ações. Mas calma: antes de chegarmos nisso, há um caminho a percorrer. Pode parecer que é uma tarefa simples, a partir da definição da intenção ("o que eu quero"), decidir o que deve ser feito ("como eu quero"). Talvez em algumas situações seja mesmo só isso, mas quando lidamos com realidades mais complexas, as decisões exigem uma fundamentação mais consistente. Se o que estamos pensando em planejar é a nossa empresa ("nossa", quer dizer, de nossa propriedade ou onde trabalhamos) ou nossa comunidade (sim! Podemos - e devemos - nos envolver nisso!), a simples intenção não é suficiente para apontar os caminhos certos.

Daí que as abordagens mais tradicionais do planejamento, empresarial ou territorial (urbano, regional, ambiental), envolvem pelo menos duas etapas fundamentais: (1) diagnóstico e (2) prognóstico.


Uma pessoa, de costas, olha para uma folha de papel com gráficos impressos
O conhecimento da realidade pode passar pela necessidade de estudos mais aprofundados, coleta de dados, tabulação e cálculo, indicadores, etc. Uma boa análise é a que ajuda a tornar essas informações um conhecimento para a tomada de decisões.

A primeira etapa tem um nome tomado da medicina, e consiste em entender e problematizar a realidade atual. Como o médico que reconhece a doença a partir dos sintomas e de uma série de exames, precisamos também entender a nossa própria condição atual, o que deve ser melhorado, o que precisa de apoio ou reforço, o que deve ser solucionado ou mesmo removido e substituído. Quando temos clareza da intenção do plano, o diagnóstico é relativamente instintivo. Mas há situações em que somente uma análise mais detalhada e sistemática da situação pode dar clareza do problema. Um exemplo clássico? As enchentes. É comum olhar para as enchentes apenas como o acúmulo de água em algum lugar, e pensar que a solução é retirar a água dali o mais rápido possível (canalizar rios) ou aumentar o espaço para que essa água se acumule (piscinões e soluções do tipo), quando na verdade o problema frequentemente envolve toda a "bacia", desde as áreas mais altas, as encostas, e inclui a falta de áreas verdes, o excessivo asfaltamento e concretagem do solo, etc.

Para situações mais complexas, portanto, um diagnóstico requer estudo, análise cuidadosa e sistemática, e muitas vezes requer o olhar do especialista. Como na metáfora médica: às vezes basta um clínico geral, mas em outras é preciso um cirurgião especializado. Então, uma nova pergunta: você sabe realmente qual é o problema? Ou, em outras palavras, consegue descrevê-lo com clareza e detalhe? Se não, talvez seja preciso pedir ajuda: de colaboradores, da família, de um especialista no assunto que quer resolver, e por aí em diante.


Um trecho de um poste em primeiro plano, com uma estrada desfocada ao fundo. No poste, um cartaz colado escrito, em inglês: "o futuro não está escrito"
A "exploração do futuro" proposto por métodos prospectivos não significa tentar prever e controlar, mas ao menos delimitar o universo de possibilidades a serem consideradas num plano

Com essas informações e dados em mãos, a segunda fase (prognóstico) consiste em tentar especular sobre o futuro: o que pode acontecer? Dentre as várias possibilidades que podemos conceber, quais são mais prováveis? Ou ainda, quais são mais desejáveis e indesejáveis? Claro que aqui estamos falando de conjecturas, não há como prever o futuro com certeza. Mas isso não significa que não possamos ao menos definir quais são nossas expectativas. Nesse processo de exploração do futuro, podemos adquirir a clareza de que algumas ações podem ser tomadas para nos precaver de algo que não desejamos, para nos preparar para algo que consideramos inevitável, ou ainda para buscar algo que ainda não temos (e queremos). Existem técnicas muito sofisticadas para empreender esse tipo de especulação, mas o princípio geral é relativamente simples. Trata-se de pensar livremente sobre o futuro, estabelecendo uma espécie de funil: o que é possível -> o que é provável -> o que é desejável.

Cumpridas essas duas fases fundamentais, é bem provável que você já tenha uma boa ideia do que fazer. Alguns preferem parar aqui e já botar mãos à obra. Outros talvez se sintam mais seguros quando conseguem definir em detalhe todos os aspectos dessas ações: quanto tempo leva? Do que precisa? Quem vai fazer? Onde vai ser feito? Numa realidade mais complexa, como uma empresa, em um bairro ou uma cidade, é preciso garantir que essas definições sejam de fato detalhadas com a maior precisão possível, e com fundamentos sólidos para assegurar uma boa execução, seja em termos financeiros, seja em um prazo razoável, ou outra forma de se avaliar o resultado.

A partir daí, o planejamento dá lugar à gestão: o processo de definição e organização das ações se torna um outro processo, de administrar essas ações para que de fato se alcance o resultado desejado. Perceba, leitor, que planejamento e gestão caminham juntos e são inseparáveis. Não adianta "administrar" algo sem saber para onde se vai: isso aumentaria muito as chances de apenas repetir velhos hábitos (ou vícios!), andar em círculos, ou mesmo perder o rumo. Administrar é importante sim, mas planejar é fundamental.


Sobre a mesa, um caderno aberto com duas canetas coloridas, mostrando as páginas de um "bullet journal"
O "bullet journal" é um dos métodos mais populares na atualidade para o planejamento pessoal

Atualmente, são bastante conhecidas diversas metodologias de planejamento para a vida pessoal, profissional, seja em nível individual ou coletivo (corporativo, governamental), diversas ferramentas, diversos recursos físicos e digitais: GTD ("Getting things done"), Bullet Journal, Prospectiva Estratégica, Matrizes analíticas (SWOT, GUT, Leopold), BMC (Business Model Canvas), e tantos outros. Cada uma delas tem sua utilidade e suas limitações, mas ao final todas têm o mesmo objetivo: dar recursos para que as pessoas possam planejar e executar seus planos com maior assertividade, confiança e, na medida em que as condições permitam (afinal, surpresas sempre podem ocorrer), com sucesso.

Você que começou o ano fazendo planos: como está seu planejamento para 2022? E que recursos ou ferramentas você tem utilizado?

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